Fundada por Vera Domakoski e Rafael Pacheco em 1981, no Departamento de Educação Física da UFPR e nominada como ‘Grupo de Danças da UFPR’, inicialmente trazia a proposta de popularização da prática da dança, reunindo alunos de diversos cursos da instituição.
Na visão de Domakoski, a dança assinala um imperativo social capaz de assegurar aproveitamento ao tempo livre de jovens, e a criação do grupo vem como uma forma de garantir acesso tanto a dança quanto aos métodos de preparação corporal para seu desempenho. Neste início, o Grupo materializa a proposta de popularização da prática da dança ao compor um elenco com mais de uma centena de integrantes que desenvolvem atividades que funcionam como comunhão por meio da dança, com criações pautadas na coletividade.
O contato de Rafael Pacheco com a professora e coreógrafa Eva Schul é ponto marcante na trajetória do desenvolvimento técnico do grupo. Ao presenciar o trabalho já desenvolvido com o elenco, a profissional identifica similaridades com a dança moderna e os estimula a prosseguirem na qualificação técnica por meio da dança moderna.
Dento da história de suas produções artísticas, High Society é a obra considerada um ‘divisor de águas’. Criada em 1983, é estruturada a partir dos elementos da dança teatro e seu conteúdo remete a uma espécie de crítica ao comportamento do indivíduo em sociedade. Neste período são desenvolvidos trabalhos que causam um ‘estranhamento’ no público em geral, devido às suas peculiaridades, inovações e propostas estéticas diferenciadas. Essa nova fase, traz uma abordagem corpórea mais teatral ao Grupo, que progressivamente se apropria de uma linguagem singular, construída na ampliação dos símbolos, na expressividade teatral dos textos de grandes autores, em um universo de possibilidades.

No ano de 1985, o Grupo se instala nas dependências do Prédio Histórico da UFPR e vincula-se a então Pró-Reitoria de Órgãos Suplementares – atual Pró-Reitoria de Extensão e Cultura, estabelecendo-se definitivamente como um grupo artístico de dança representante da Universidade Federal do Paraná.
A hoje consolidada identidade coreográfica emergiu a partir da incorporação de elementos das artes cênicas às práticas do grupo, redefinindo a estética dos trabalhos coreográficos. A partir desta fase, as aulas se compõem por experimentações laboratoriais do gesto cênico, propostas originadas dos estudos de textos de Constantin Stanislawsky, Bertolt Brecht e Jerzy Grotowsky, adicionados a intensificação de aulas de aprimoramento técnico e após sucessivos processos seletivos, gradativamente se transforma em um reduzido elenco de quinze participantes que têm como foco a produção artística por meio da linguagem da dança, firmando seu trabalho técnico formulado a partir da dança moderna com elementos do teatro.
As obras compostas colocam ao alcance do público uma nova forma de se ver a dança. A ideia geradora do movimento coreográfico passa a poder se originar de todo e qualquer material criativo, que começam a tomar forma e expressão em obras como Fly, coreografia que sinaliza a transformação das propostas artísticas.
A partir da criação de Lamentos, uma obra coreográfica com caráter notadamente expressionista, com música de Gustav Mahler (chamada Canção para Ninar Crianças Mortas) o Grupo tem contato pela primeira vez com as ideias contidas nas obras do francês Antonin Artaud (1896-1948) e seu ‘teatro da crueldade’. Inicia-se, então, a fase em que as propostas coreográficas definem a ‘marca registrada’ da Companhia, com cunho ritualista impresso em cada uma das cenas, criadas a partir da energia orgânica, do gesto significativo, da concentração e do potencial criativo do corpo em movimento.
Os grandes destaques desse período são duas coreografias de estruturação bastante distinta: Celacanto (de Rafael Pacheco), um solo criado a partir da abstração de movimentos baseados nas características e energia orgânica dos animais, e Hall Of Mirrors (de Eva Shul), uma coreografia marcadamente contemporânea e vanguardista, criada a partir da composição musical do grupo alemão Kraftwerk, com uma proposta de questionamentos sobre um mundo de imagens e aparências enganosas. Essas duas obras foram as grandes vencedoras do V Festival de Dança de Joinville, em 1987, nas modalidades solo contemporâneo e dança contemporânea.
O grupo ganha projeção nacional ao tornar conhecida sua identidade ritualística ao percorrer o caminho dos festivais de dança, em destaque o Festival de Dança de Joinville, o Festival do Triângulo Mineiro, em Uberlândia-MG e o Encontro Nacional de Dança (ENDA-Brasil). Assim, tem início a trajetória vitoriosa do Grupo de Dança da UFPR nos mais importantes festivais, encontros e mostras de dança no Brasil.
Em 1988, a coreografia Cruel Inocência conquista o 1º Lugar no Festival de Dança de Joinville, na modalidade dança contemporânea – categoria profissional e o 1º Lugar Geral do Festival (troféu transitório), sendo consagrada, também, por ser vencedora do II Festival de Dança do Triângulo e do ENDA Brasil (Encontro Nacional de Dança) em São Paulo.
Após o cumprimento da extensa agenda direcionada às viagens estaduais e nacionais, no primeiro semestre de 1989, o Grupo de Dança da UFPR se prepara para dançar no VII Festival de Dança de Joinville, com uma obra inédita criada por Rafael Pacheco. A coreografia Viajem, considerada uma das obras mais emblemáticas na história do Grupo, conquistou todos os prêmios possíveis em festivais nacionais e recebeu comentários positivos da crítica especializada, o que ocasionou na montagem de uma obra coreográfica completa a partir da releitura e ampliação da obra original.
O Grupo de Dança se propõe a desenvolver uma linguagem cênica própria que provoque impacto na plateia e apresenta obras coreográficas com uso intenso de simbolismos e com variadas possibilidades de leitura.
A obra que ilustra essa fase é A Aparição do Whaithi. Além de buscar uma estrutura cênica pós-moderna utiliza os próprios bailarinos como fonte originária de sons e palavras sem sentido específico, gerando a ‘partitura sonora’ que conduz às cenas coreográficas, composta por meio da improvisação estruturada e com características da linguagem da performance.
A fase de grandes conquistas e projeção nacional do trabalho, com participação e sucesso no circuito de festivais de dança, caracteriza-se como ferramenta para consagração de sua maneira de ver e fazer a dança. A partir de 1990, o circuito dos festivais e mostras competitivas de dança é abandonado e o grupo se aventura em produções coreográficas mais extensas, com a possibilidade de realizar pequenas turnês pelo interior do Paraná.
A seleção do Grupo pela Funarte-Brasília permite a divulgação do trabalho da Companhia por meio da circulação de seu espetáculo, tendo a estreia da turnê no Rio de Janeiro, no Teatro Cacilda Becker. A apresentação teve lotação completa, assim como no posterior ‘bate-papo’ entre o público e os artistas.
Com a reestruturação da coreografia Viajem, em 1991, a releitura resulta em um espetáculo cujo título indica o imperativo do verbo viajar. Com temática polêmica, envolvendo o movimento nazista em sua narrativa, o coreógrafo Rafael Pacheco versa sobre campos de triagem da Segunda Grande Guerra e reforça o caráter sígnico de sua coreografia, incluindo na trilha sonora temas que remetem à ideia dos campos de concentração. Na cenografia, com grande impacto visual, plataformas e passarelas que se estendem do palco à plateia criando uma espécie de trilhos simbólicos, como em uma plataforma de estação ferroviária onde se distribuem os intérpretes (bailarinos, atores, barítonos e figurantes especialmente convidados para encenação desta coreografia). O material gráfico produzido para a temporada causou bastante repercussão na mídia, por ter como símbolo a suástica nazista e, com a proliferação deste material (cartazes, flyers, painel de rua, flâmulas), várias manifestações e uma mobilização intensiva fazem com que o então Reitor da UFPR, Carlos Faraco, decida subir ao palco na estreia do espetáculo e pronunciar-se em relação ao direito à livre expressão. Embora polêmica, Viajem, dedicada ao Movimento Nacional e Internacional pelos Direitos Humanos, obteve sucesso de público e crítica em todas as suas apresentações.
Outra coreografia da década de 1990 que merece destaque é Pessoas Marcadas. Trata-se de uma obra de bastante mérito no repertório da Companhia, pois, para a elaboração deste espetáculo, a preparação dos bailarinos foi para além da técnica corporal, exigindo, também, preparação para a expressão vocal, impostação e técnicas variadas de respiração, visando à habilidade de falarem textos variados da obra de Bertolt Brecht (1898-1956) durante as sequências coreográficas.
Em março de 1995, ano em que o Grupo passa a se denominar Companhia de Dança da UFPR, a ex bailarina Cristiane Wosniak assume o posto de coreógrafa, cuja função desempenhou até o ano de 2023.
O reconhecimento internacional veio em 1996, quando a Companhia viaja à Europa para participar da 6ª Bienal Universitária de Dança – intitulada Brésil Autres Danses – realizada em Lyon-França. Após convite oficial, a Companhia seleciona dez bailarinos que viajaram acompanhados do diretor Rafael Pacheco e do diretor de trilha sonora, César Sarti. A apresentação mescla trabalhos consagrados do repertório acrescentado a pequenos solos e duetos, sendo sua atuação considerada surpreendente, tanto pela qualidade técnica quanto interpretativa apresentadas. Em sua apresentação internacional, ao lado de companhias francesas, canadenses, coreanas e americanas, a Companhia expõe as obras coreográficas: A Aparição do Waithi, Tem Ar Dentro, Leyllas e Um Poeta, Divisão dos Sentidos (versão solo), Cruel Inocência e Viajem. Com tais obras a Companhia de Dança da UFPR alcança reconhecimento e recebe elogios da crítica, justamente por fazer alusão ao objetivo do encontro: propor e apresentar trabalhos vanguardistas, com pesquisa de novas formas coreográficas.
A comemoração dos quinze anos da Companhia, em 1997, conta com um trabalho que alia dança e tecnologia, diálogo este que vinha sendo pesquisado há algum tempo e pôde ser iniciado e posto em prática o processo da sua produção ao adquirir financiamento junto a administração da UFPR no último ano da gestão do Reitor José Henrique de Faria. São construídas estruturas cênicas com telões em diferentes posições no palco, com imagens simultâneas transmitidas, filmadoras conectadas a terminais de computadores, dispositivos eletrônicos, microfones, TVs, multimídia e sequências de slides, projetados e utilizados em cena pelos intérpretes. Trata-se de extensões tecnológicas utilizadas na obra O Senhor da Noite. O uso de tecnologias somado à técnica e pesquisa para a criação de movimentos corporais, bem como os elementos constituintes da obra, como figurinos, iluminação, sonorização e cenários, atribui a coreografia e, consequentemente, ao trabalho desenvolvido pela Companhia, um caráter de valorização da interação de múltiplos elementos na cena.
Em 1998 a Companhia, em fase de transição de elenco, acolhe diversos atores-bailarinos, e pretendendo um diferencial em sua criação coreográfica, dá início às pesquisas e estudos de uma nova obra: A Vaca. Concebida a partir de um rigoroso estudo analítico dos signos presentes na contemporaneidade, e aplicando intensa dose de ironia e paródia, o que inclui usar em cena uma escultura de uma ‘vaca cenográfica de pernas para o ar’, a obra traz a proposta de uma ambientação que alterna jogos e sequências de movimentos, atuações performáticas, inserções de canto lírico, textos falados ao vivo, vitrine viva e dublagens.
A virada do milênio traz para a Companhia uma vontade de aglutinar forças e perspectivas e o grande destaque do período é a nova nomenclatura do grupo, que em março de 2000 passa a ser Téssera Companhia de Dança da UFPR. Téssera, palavra de origem grega que significa ‘quatro’ faz alusão aos quatro fatores de movimento utilizados na concepção das aulas e processos criativos da companhia: espaço, tempo, forma e movimento, sendo mais do que um simples nome para a Companhia de Dança da UFPR.
No mesmo ano (2000) a Téssera obtém aprovação de um projeto pela Lei de Incentivo à Cultura Municipal, cuja decorrência é o apoio financeiro da empresa Siemens do Brasil para a criação e produção de mais uma obra inédita: Tolerância Zero.
Em 2001 apresenta o espetáculo comemorativo dos vinte anos da companhia, com um programa que reúne remontagem de coreografias icônicas de seu repertório e novas obras coreográficas com temas variados.
Em 2002 desenvolve um trabalho de pesquisa voltado à Tradução Intersemiótica entre duas linguagens diferenciadas, a verbal e a não verbal, ou seja, entre a palavra escrita e o gesto. Cristiane Wosniak constrói o roteiro coreográfico de Aniversário, a partir da releitura do conto de Clarice Lispector “Feliz aniversário”. No mesmo ano, Rafael Pacheco propõe mais um trabalho polêmico para a Companhia: Transgressão do Medo, coreografia em que os elementos da dança teatro se fazem presentes de forma simbólica, em que signos e personagens transformam jogos rituais de maneira a exacerbar dualidades em uma constante. Esta obra foi convidada para fazer o espetáculo de encerramento do 13º Festival de Dança de Cascavel, no Centro Cultural Gilberto Mayer.
Em 2003, a proposta é divulgar a produção artística da UFPR por cidades do Estado do Paraná e, na temporada oficial de 2º semestre (em dezembro), a Téssera se apresenta no Teatro Experimental da UFPR (TEUni), com o espetáculo Fragmentos da Alma, contendo no 1º ato quatro coreografias de Cristiane Wosniak, que propunham alguns elementos de dança e teatro na cena e, no 2º ato, a composição da obra título do espetáculo – Fragmentos da Alma.
Em junho, de 2004, a Téssera Companhia de Dança é selecionada para integrar as atividades artísticas no Circuito Cultural Banco do Brasil, com as apresentações de dança Dialogue e Plusz na abertura da peça teatral Quadrante, com Paulo Autran, no Auditório Bento Munhoz da Rocha Neto, o Guairão.
A partir de 2006, a Téssera Companhia de Dança da UFPR decide propor, anualmente, duas obras inéditas, além das pequenas coreografias criadas com o objetivo de ocupar eventos e espaços alternativos. Com isso, ao revezarem-se nas autorias, os coreógrafos objetivam demonstrar distintas propostas entre os processos e produtos de dança. Com métodos e resultados diferenciados alcançados das abordagens do corpo em movimento a partir de uma ideia pré-estabelecida, as obras coreográficas incidem na provocação de versatilidade e ecletismo, além de possibilitar ao elenco o exercício de variados modos de pensar e fazer dança. São exemplos deste período, as obras: Diabliposa e Encartes.
Prestes a comemorar 25 anos de existência, a Téssera inicia os ensaios de O Anjo Negro (2006), espetáculo que propõe uma reflexão ao discutir cenicamente conceitos como fé, esperança e perversidade.
Em 2008, Cristiane Wosniak propõe à Companhia uma nova pesquisa a partir do conto A Imitação da Rosa (de Clarice Lispector), o que resulta na criação da coreografia Rosas. Outra produção coreográfica significativa da época, criada no 2º semestre do mesmo ano, é Silêncio, de Rafael Pacheco, apresentada no Teatro Experimental da UFPR (TEUni) onde, devido à proximidade entre plateia e palco, há o destaque para o caráter intimista proposto nas cenas.
Em 2009, Juliana Virtuoso passa a integrar a equipe técnica da Unidade de Dança Moderna da UFPR. Bailarina da Téssera Companhia de Dança desde 2003 assume o cargo de coreógrafa após a aprovação em concurso público, atuando de imediato como assistente nos ensaios e montagens da Companhia.
Nesse mesmo ano, os coreógrafos decidem reeditar o projeto de preservação, visibilidade e atualização de algumas peças do repertório, com a finalidade de circular e ‘contar a sua história dançante’. A comemoração pelos trinta anos se inicia com a remontagem de obras que se reconfiguram nos espetáculos denominados Tempo e Diacronia, e culmina com a apresentação de Arthur, coreografia que coloca em cena personagens simbólicos inspirados em lendas e histórias medievais. Arthur tem estreia no Teatro Experimental da UFPR, em novembro de 2010, e reapresentação no Teatro da Reitoria da UFPR em março de 2011. “Téssera Companhia de Dança da UFPR: 30 anos”, livro escrito por Cristiane Wosniak, resgata a história do grupo e mapeia sua trajetória evolutiva, tornando-se, também, parte integrante das comemorações tanto das três décadas da Companhia quanto do centenário da Universidade Federal do Paraná.
Ainda em 2011, como parte das atividades programadas para a comemoração dos trinta anos da Companhia, estreia o espetáculo Só em Acapulco, coreografia que traz à cena uma leitura aberta da estética brechtiana. Bertolt Brecht (1898-1956) desenvolveu suas obras em meio ao surgimento e ascensão do nazismo, brotando como uma antítese a todas as formas de opressão. Ao ser obrigado ao 'exílio', torna-se um homem só, arrancado de sua pátria, de sua cultura e das marcas de sua identidade social, passando a conviver com novas estruturas sociais que lhe proporcionaram estranhamento, perante o outro e a si mesmo. Este é contexto no qual se desenvolve a proposta do espetáculo, com situações de estranhamento, cenas non sense e atitudes inusitadas frente às propostas e jogos coreográficos. O elenco dá vida a personagens metropolitanos que desfilam e dançam em meio a um suposto Brecht encarnado como 'sujeito contemporâneo', aturdido em suas reflexões e pensamentos críticos, o que resulta em uma das mais significativas obras da Téssera.
Durante o 2º semestre de 2011, a coreógrafa Cristiane Wosniak cria Valsa 30, em uma alusão à comemoração dos 30 anos da Companhia, somados às comemorações do centenário da UFPR, além do centenário de nascimento do dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues. A opção recai sobre a peça teatral psicológica, Valsa Nº 6, escrita pelo dramaturgo em 1951 e que toma forma, sob o movimento dançante.
Em 2012, o espetáculo Lapses, com coreografia e direção de Rafael Pacheco e trilha sonora de Helen de Aguiar, encerra a trilogia dos estudos e pesquisas do coreógrafo em relação às diferentes interpretações simbólicas do universo dos anjos e arcanjos. Anteriormente, foram criadas as obras coreográficas O anjo (1995) e O anjo Negro (2006), sendo Lapses o fechamento de suas ideias para o tema.
Ainda em 2012, a Companhia é convidada a participar da Bienal Internacional de Dança de Curitiba e na ocasião apresenta a coreografia Só em Acapulco, de Rafael Pacheco. A remontagem coreográfica teve, ainda, temporada de apresentações no Teatro da Reitoria, de 20 a 24 de novembro de 2013.
Em 2014 Rafael Pacheco cria A Téssera vai Dançar/Coelhos, uma coreografia com temática relacionada à ultraviolência, que abre possibilidades para reflexões sobre questões de gênero, e no segundo semestre é apresentada a coreografia LimoNada Nada Concreta, de Cristiane Wosniak, obra que traz uma homenagem ao poeta concretista Décio Pignatari (1927-2012), ambas com trilha sonora de Helen de Aguiar. Devido ao grande sucesso alcançado pelo espetáculo Coelhos, a Téssera leva parte de seu elenco – personagens – para performances nas ruas do centro de Curitiba, e posteriormente faz remontagem com reapresentação da coreografia em duas novas temporadas em 2015 no Teatro da Reitoria.
No ano de 2016 a bailarina Helen de Aguiar, integrante do elenco desde 1999, é aprovada em concurso público e assume o cargo de coreógrafa da Unidade de Dança Moderna da UFPR, passando a atuar efetivamente na equipe.
No mesmo ano, a Companhia apresenta Intermedi(ações), como parte integrante das comemorações de seus 35 anos, que consiste em exposição criada a partir da seleção de nove obras coreográficas significativas e suas relações intermediáticas. Exibida no MusA (Museu de Arte da UFPR), a exposição propõe um encontro relacional entre diferentes matrizes intermediais: peças de figurinos, adereços, fragmentos de cenários, iluminação e trilha sonora criando microambientes a partir dos significados das coreografias que, junto com performances diárias, permitiram ao público uma experiência viva, dinâmica, sensorial e interativa.
Em 22 de outubro de 2016 a Téssera apresenta o solo Blasfemale, em participação no evento Todos com Jair Morais, no Teatro Bento Munhoz da Rocha Neto (Guairão). Na ocasião, treze grupos e companhias de dança da cidade de Curitiba prestam uma homenagem ao coreógrafo Jair Moraes como forma de proferir a sua recuperação.
O marco coreográfico da comemoração dos 35 anos é a apresentação do espetáculo Black Dog em novembro de 2016, no Teatro da Reitoria da UFPR. A coreografia, pesquisada e construída ao longo de 18 meses, expõe um tema atual e relevante: a depressão. Com um roteiro coreográfico construído a partir de seis sintomas marcantes do maior transtorno psicossocial da atualidade (segundo a organização mundial da saúde), revela grande densidade interpretativa, despontando sentimentos contrastantes e alta carga emocional. O espetáculo atinge uma proporção que torna necessária sua reapresentação, com temporada de mais cinco dias em junho de 2017.
No segundo semestre do mesmo ano, Juliana Virtuoso assume a frente da Companhia para iniciar o processo de criação da obra que marca sua estreia como coreógrafa da Téssera. Partindo de um estudo aprofundado e de intensa pesquisa sobre o tema, compõe um espetáculo que tem por objetivo estético a essência e a fonte de energia vital da figura feminina. Nasce, então, “Aquela que é”, que coloca em cena intencionalidades como força, generosidade e sensibilidade, em um universo que se confirma no criar, manter e continuar. A coreografia Aquela que é teve sua estreia em novembro de 2017 com reapresentações durante o primeiro semestre de 2018 e apresentações no litoral paranaense. O espetáculo inaugura uma nova fase dentro da história da Companhia, por irromper com alguns elementos cênicos (como, por exemplo, o uso do tempo e o padrão de sequências de movimentos), demonstrando uma transição nos modos de criação coreográfica na mesma medida que mantêm a identidade estética da Téssera Companhia de Dança da UFPR.
No ano de 2018, a Companhia se dedica a reapresentações e viagens, com novas temporadas de “Aquela que é” no Teatro da Reitoria, no interior e litoral do Estado do Paraná, além de apresentações de solos e processos coreográficos de menor porte em eventos da Instituição. Ainda em 2018, a exposição “Palco Impresso – Téssera em Cena”, produzida para celebrar as duas décadas de parceria entre a Téssera e o fotógrafo Christian Alves é exibida em diferentes espaços culturais de Curitiba e região metropolitana.
No início de 2019 a rotina de aulas e ensaios é realizada com foco na participação da Téssera Companhia de Dança da UFPR no Festival de Teatro de Curitiba, com temporada de três dias no Teatro Novelas Curitibanas, com o espetáculo Aquela que é, e apresentação de dois solos em formato de work in progress, da coreógrafa Helen de Aguiar, seguido de bate papo sobre processos de criação em dança moderna.
Com a sucessiva rotina de aulas, processos de criação e ensaios, a partir do mês de abril a Téssera direcionou sua atenção para Temporada de espetáculos de Junho/2019, com a remontagem de Só em Acapulco, coreografia e direção de Rafael Pacheco. Após as apresentações no Teatro da Reitoria da UFPR, o trabalho foi adaptado para participação do 29º Festival de Inverno da UFPR em Antonina/PR, em um formato mais intimista para ser apresentado no espaço cultural Ademadan.
Em setembro de 2019 os coreógrafos da Unidade de Dança decidem reativar um antigo projeto e propõem um formato de espetáculos alternativo com coreografias de curta duração e adequável a diferentes espaços físicos. Assim, foi criado Sete, com apresentações nos dias 20, 21 e 22 de setembro, e reapresentações no 1º Festival UFPR – Ciência, Cultura e Inovação, nos dias 27 e 28. São partes integrantes deste programa de espetáculo as coreografias Santo Bizarro: o caçador de ratos, de Juliana Virtuoso, K, de Rafael Pacheco, um conjunto masculino Fracção, de Cristiane Wosniak, e os quatro solos A moça na Torre, Similitude, Retrosseguir e Spectral, da coreógrafa Helen de Aguiar. A boa aceitação do público para o formato alternativo resultou na adição de mais uma temporada anual, sendo, a partir de então, duas temporadas oficiais, uma no 1º e outra no 2º semestre, e a temporada Sete, em setembro, com formatos coreográficos diferenciados.
No ano de 2020 o mundo foi surpreendido pela pandemia da Covid-19 e, logo após seu processo seletivo, o elenco da Téssera passou a trabalhar remotamente, contudo, conservando aulas e procedimentos criativos tendo em vista a continuidade de seus processos artísticos.
A percepção de que o distanciamento social criara uma lacuna na existência daqueles corpos, que diariamente se colocavam a dividir o mesmo espaço/tempo nos processos artísticos, impulsiona para o surgimento de “De dentro para fora – o Artista e a Téssera”. O projeto consiste em uma série de vídeo depoimentos, com participações de atuais e ex-integrantes da Téssera Companhia de Dança da UFPR, concebidos e editados pela coreógrafa Helen de Aguiar. Ao todo foram criados 18 trabalhos videográficos, apresentados semanalmente nas redes sociais da Companhia entre os meses de junho e novembro de 2020. Em 14 de outubro, a convite da Orquestra Filarmônica da UFPR, a Téssera participou de “Trombeta de Anjo”, de autoria de Rodrigo Flamarion. A coreografia solo foi criada especialmente para a ocasião e o projeto artístico (obra em vídeo) foi parte da programação do 30° Festival de Inverno da UFPR.
Ainda em caráter de mobilização, Juliana Virtuoso inicia um processo artístico [solo] à distância, experimentando diferentes modos de interação entre coreógrafa, bailarino e proposta coreográfica por meio de encontros virtuais. O processo resulta na obra Imanente, apresentada no ‘Espetáculo Virtual’ em 18 de dezembro de 2020, com direção e coreografia de Juliana Virtuoso e edição de vídeo e trilha sonora de Helen de Aguiar. Na ocasião, é também apresentada a obra Spectral, de Helen de Aguiar, um solo criado em 2019 e adaptado e dirigido para novo formato (audiovisual), com nova trilha sonora e edição também da coreógrafa com interpretação de Juliana Virtuoso.
O ano de 2021 assinala as quatro décadas de trabalhos contínuos da Téssera Companhia de Dança da UFPR, e para marcar a data de seu aniversário, em 02 de maio estreia a coreografia Raiz, de Juliana Virtuoso, no “Evento Virtual Téssera 40 anos”, pelo canal do youtube da UFPRTV. Em outubro apresenta a obra videográfica Interlocuções em Movimento, com direção e edição de Helen de Aguiar, fotografia de Christian Alves e narração de Ranieri Gonzales. Em dezembro apresenta a Temporada Virtual 2021, com estreia de duas obras coreográficas em vídeo - Sete Palmos de Terra, trabalho solo coreografado, editado e dirigido por Helen de Aguiar - e Egéria, em parceria com o Coro da UFPR, com concepção, coreografia e interpretação de Helen de Aguiar, direção cênica de Rafael Pacheco, direção musical de Álvaro Nadolny, com a mezzo soprano Daniele Franco e a pianista Karina Ferrer Gineste da Silva. Além delas foram reapresentadas as coreografias Raiz e Interlocuções em Movimento, além da criação da coreografia Tempo, por Juliana Virtuoso, dançada no evento comemorativo dos 106 anos da Universidade Federal do Paraná no Teatro de Reitoria em Curitiba.
O ano de 2022 é marcado pelo retorno às atividades presenciais pós pandemia, com a produção de Ponto Vermelho, com direção e coreografia de Rafael Pacheco e trilha sonora de Helen de Aguiar, o espetáculo foi apresentado em duas temporadas, de 21 a 24 de setembro e 01 a 03 de dezembro, no Teatro da Reitoria.
No ano seguinte, 2023, Cristiane Wosniak despede-se do cargo de coreógrafa junto à Companhia com Reticência(s), obra criada a partir da adaptação da peça teatral Vestido de Noiva (1943), de Nelson Rodrigues. No mesmo ano, na temporada do segundo semestre, O Cubo, de Rafael Pacheco, tem sua estreia em 29 de novembro, segue em cartaz até 02 de dezembro e se apresenta em nova temporada em junho de 2024.
Ainda em 2024, Rafael Pacheco inicia o processo coreográfico de Comedores de Lágrimas, desenvolvido a partir de movimentos e gestos que corporificam os estímulos e as reações causados pelo individualismo e agressividade de uma sociedade intransigente e fraturada. Com direção e coreografia de Rafael Pacheco e trilha sonora de César Sarti, o espetáculo reúne elenco de 19 integrantes que se apresentam de 28 a 30 de novembro, com reapresentações em 2025, de 10 a 12 de julho, no Teatro da Reitoria.
Em 2025 a coreógrafa Juliana Virtuoso volta à frente da Companhia para desenvolver o projeto artístico de A Criada, espetáculo que tensiona os espaços entre a ciência e religião, tecnologia e simbolismo, inovação e estereótipo. “A Criada. Àquela que foi dada existência. Aquela que serve” explora questão atual ao trazer reflexões pautadas na Inteligência artificial e abordar o papel da mulher em uma sociedade marcada pelo avanço tecnológico.
O histórico do grupo permite a percepção de que suas progressivas modificações são o resultado das possibilidades permitidas por cada um dos contextos vivenciados, tanto no sentido de apoio institucional, como no aprimoramento e domínio técnico e artístico consolidados gradualmente pelas experiências e vivências de seus dirigentes e elenco.
A estruturação da Téssera Companhia de Dança da UFPR se caracteriza como um agente em constante transformação, com uma dinâmica que inclui o tempo, o conhecimento e as relações entre os indivíduos que a compõem e sua consolidada concepção artística, que utiliza os fundamentos formativos e estéticos da dança moderna como forma de pensamento e ação para os corpos, movimentos e performances.

Pça. Santos Andrade, 50 - 1º andar
Curitiba - Paraná
(41) 3310-2708 - tessera@ufpr.br
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